Bloqueios Financeiros de Brasileiros na Europa: Por Que Ganhar em Euro Não Resolve
- Livia Bueno

- 15 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Um das maiores discussões que acompanho no conteúdo de pessoas que moram fora é a questão "ganhar em euro x gastar em euro".
Quando brasileiros que moram no exterior criam conteúdo mostrando seu dia a dia, desafios, os comentários são geralmente sobre o valor das coisas, alguns acham tudo muito caro, outros respondem que não dá pra comparar com os preços no Brasil, afinal a pessoa "ganha em euro.
Será que isso faz diferença mesmo?
Como brasileira morando na Suécia e especialista em bloqueios financeiros, vou trazer uma perspectiva sobre a realidade financeira de quem mora fora sob uma perspectiva espiritual e energética.
O que observei em meus assistidos e pessoas em meu convívio é que tem gente ganhando em euro e dormindo com a mesma ansiedade financeira de quando ganhava em real.

Bloqueios Financeiros: O Que Brasileiros na Europa Precisam Entender
Tem gente que atravessou o oceano, multiplicou a renda, vive num país com saúde e educação de qualidade e ainda assim não consegue poupar. Ainda assim se sente no aperto. Ainda assim evita olhar a conta bancária e a realidade da situação.
Mas afinal, ganhar em real/euro x gastar em real/euro, faz diferença?
A verdade é que moedas consideradas "mais fortes" como o euro por exemplo levantam duas questões: o poder de compra e a inflação;
Sim, o custo de vida é relativamente maior, se fizermos a conta de forma genérica. Vou dar um exemplo aqui, da minha realidade.
No caso, a moeda local é a coroa sueca, que acompanha o euro, ou seja se o euro sobe, a coroa sueca tende a acompanhar em relação ao real.
Vou dar exemplos concretos*: um pacote de 1kg de arroz parboilizado custa 40 coroas suecas na minha região, equivalente a R$ 23,32. Em Curitiba, onde morei, a mesma quantidade de uma marca conhecida sai por R$ 6,49 ou 11,13 coroas.
À primeira vista, o arroz na Suécia parece absurdamente caro. Mas quando você olha o percentual do salário, a história muda: o arroz brasileiro consome 0,43% do salário mínimo, enquanto o sueco consome 0,22%.
Em tempo real de trabalho, um brasileiro precisa trabalhar 41 minutos para comprar 1kg de arroz. O sueco trabalha 22 minutos para o mesmo produto.
E se pegarmos Portugal, que tem um dos salários mínimos mais baixos da Europa Ocidental (€870), o arroz vaporizado que custa €1,63 representa 0,19% do salário e requer 18 minutos de trabalho. Mesmo com salário menor que a Suécia, o português ainda trabalha menos que a metade do tempo do brasileiro para comprar o mesmo produto.
O custo de vida é mais alto na Europa, sim. Mas o poder de compra também é proporcionalmente maior. E ainda assim, vejo brasileiros aqui se enrolando financeiramente.
*Dados de dezembro de 2025
Eu trabalho com bloqueios financeiros e uma das coisas que mais observo em brasileiros (e em outras culturas também) é a crença inabalável de que "ganhar mais" resolveria tudo.
Será mesmo?
A Ilusão da Conversão Cambial
Existe uma fantasia coletiva entre brasileiros: "Se eu ganhasse em euro, minha vida financeira estaria resolvida." Muitos brasileiros largam tudo e vão para a Europa para mandar dinheiro pra família no Brasil, juntam por um tempo e depois retornam. Já vi muitos casos que deram certo, e outros que, mesmo a pessoa mandando euros pro Brasil, valendo muito mais, o dinheiro não é suficiente para uma vida livre de dívidas.
Porque o problema financeiro raramente é sobre quanto você ganha. É sobre o que você faz com o que ganha. É sobre como você se relaciona com dinheiro. É sobre os padrões inconscientes que você carrega, e que viajam na mala com você.
Você pode trocar o real pelo euro. Mas se não trocar sua relação interna com dinheiro, vai apenas repetir os mesmos ciclos em uma moeda diferente.
Brasileiros na Europa: Quando os Bloqueios Financeiros Atravessam o Oceano
Sim, o custo de vida na Europa é mais caro mas o poder de compra é maior, além de ter uma infra-estrutura de saúde e educação que permite que a qualidade de vida seja, em muitos casos, melhor. A equação deveria fechar.
Mas o que acontece com muita gente?
Ganham melhor. Vivem melhor. Têm estabilidade. E mesmo assim se enrolam financeiramente.
Por quê?
Porque não é somente a diferença cultural. São padrões, crenças e raízes ancestrais, espirituais e energéticas, que carregamos, não importa onde estamos.
Aqui, uma das coisas que mais me chamou atenção é que crédito é visto como dívida. No Brasil (e muito comum tb nos EUA), crédito é tratado como extensão da renda, o limite do cartão de crédito é incorporado em quanto você pode gastar por mês..
Na Europa, as pessoas têm mais educação financeira básica. Entendem que cartão de crédito é empréstimo e que parcelar é contrair uma dívida.
Mas mesmo com acesso a uma cultura financeira mais saudável, vejo brasileiros que não conseguem incorporar isso. Porque educação financeira sem transformação de padrão é informação que não se converte em mudança.
O Que Realmente Viaja Com Você
Seus bloqueios financeiros não ficam na alfândega.
Aquele padrão de gastar antes de receber? Vem com você.
A incapacidade de poupar, mesmo ganhando bem? Vem com você.
O medo de olhar a conta bancária? Vem com você.
A culpa por ter mais dinheiro que a sua família? Vem com você.
A necessidade de compensar vazio emocional com compra? Vem com você.
Esses padrões não são racionais. São energéticos. São emocionais. São inconscientes. E por isso, nenhuma mudança externa, seja de país, de emprego, de salário, vai resolvê-los.
Ganhar Mais Nunca Foi a Solução
Você já conhece alguém que ganhou aumento e, três meses depois, estava na mesma situação financeira de antes? Ou pior: alguém que ganhou aumento e piorou, porque agora tinha "margem" para gastar mais?
Eu conheço. Eu já fui essa pessoa. Eu ganhava bem no Brasil e tinha mais de 100 mil reais de dívida. Não porque eu ganhava pouco. Mas porque o que estava desregulada não era minha renda, era meu comportamento.
Quando você não resolve o que está quebrado internamente, ganhar mais só amplifica o problema. Mais dinheiro entrando, mais dinheiro escoando. Mesma sensação de aperto. Mesma ansiedade financeira.
O problema nunca foi a quantidade de dinheiro, mas sim o que você acredita sobre ele. O que você sente quando ele chega e de que forma você age para que ele saia.
A Transformação Que Importa
Não foi mudando de país que aprendi isso. Foi olhando para dentro.
Foi identificando os padrões que herdei. Foi tratando as crenças limitantes que me faziam sabotar. Foi entendendo que minha relação com dinheiro era reflexo direto da minha relação comigo mesma.
E é exatamente isso que vejo faltando em tantos brasileiros que cruzam o oceano achando que o problema vai ficar para trás.
Não fica.
Seus bloqueios financeiros são seus. Eles não dependem do CEP, da moeda, do salário. Eles dependem de você estar disposto a olhar para eles e a transformá-los.
Ganhar em euro pode facilitar sua vida. Pode abrir portas. Pode trazer segurança material.
Mas não vai curar o que precisa ser curado dentro de você.
Isso é trabalho interno. E esse trabalho não tem atalho.
Você pode ganhar em euro, dólar ou real. Mas se não souber qual é o seu tipo financeiro e os padrões que ele carrega, vai continuar repetindo os mesmos ciclos.
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